Ora aí está um belíssimo título, capaz de, assim duma assentada, gerar 500 visitas a este blog, só pelo facto do nome do clube sediado na Luz aparecer no post. Neste cantinho à beira-mar plantado já aprendi que há coisas que chamam mais a atenção que outras. E o Benfica é, indiscutivelmente, uma das que aparece no “top ten”, a par da crise, da violação de menores, do Manuel Luís Goucha e das orgias do Castelo Branco (estes dois últimos temas estou incerto se são dois assuntos, se apenas um). Assim, nada melhor para lançar um blog que iniciar pelos temas que são queridos à populaça. Voilá!
Está provado que, excepto quanto ao Benfica, o povo é atraído pela desgraça e mau gosto. E quanto mais miserável for uma notícia, maior o número de pessoas que a procura e comenta. Este nosso país parece a camarata duma corporação de bombeiros: toca a sirene do desastre e sai tudo à rua, em número que aumenta exponencialmente com o impacto da tragédia. Com a agravante de haverem tantas versões da história quantas as cabeças que a discutem, o que aumenta o interesse da multidão e faz com que estas notícias perdurem no tempo, para esclarecimento dos pormenores dissonantes. Mas não é da qualidade de abutre do português que vou escrever, vou deixar isso para mais tarde. É sobre o Benfica, e vou fazê-lo antes que os 499 leitores que vieram a esta página enganados pelo título me comecem a enviar vírus para a caixa postal.
Ontem tive oportunidade de ver o duelo com o Chelsea. Até acreditei, no início, que um golpe de sorte fizesse os vermelhinhos viajar até à Catalunha. Ficou mais difícil quando a defesa decide oferecer um penalti. E depois do Maxi ter demonstrado a todo o Portugal que para jogar futebol é obrigatório ter um QI inferior a 20, julguei que o Benfica precisava de alugar outro avião para trazer as bolas que a equipa inglesa iria deixar nas redes do Artur. Mas eis que, qual Fénix renascida (e com uma sorte descomunal por todos os jogadores de azul calçarem tábuas e não chuteiras) parecia que era possível tirar o passaporte para o Camp Nou e sonhou-se muito, até que o tuga das tatuagens os matou com um tiraço. Ficou o amargo das possibilidades perdidas. Por culpa própria.
Hoje (e já ontem) vai-se a tudo o que é media e a culpa é do árbitro. É sua culpa não ter feito vista grossa a um empurrão na grande área, tem culpa por ter ouvido os jogadores do Benfica falarem da sua querida mãezinha, tem culpa por o Maxi ter decidido deixar a marca dos pitons na canela do outro, tem culpa de se falharem golos frente à baliza adversária. Nunca ouvi tamanha estupidez! Agora os árbitros europeus deviam ser iguais aos congéneres portugueses? Deviam ser feitos clones do Paixão e do Proença e mandá-las à UEFA? Estão a gozar com isto! Até sei qual é o mal. É que na Europa os clubes portugueses são como o Olhanense do velho continente. E como por aqui acontece com os pequenos, também na Champions, em caso de dúvida, beneficia-se o grande. Agora não se queixem por estarem a tomar o remédio que, por cá, servem aos outros! É óbvio que, para este país que mima os coitadinhos e dá ouvidos a broncos como os presidentes e treinadores de clubes de futebol, há uma legião de totós que valida, divulga e subscreve as barbaridades que eles dizem.
“Fomos melhores, mas perdemos os dois jogos.”, “Aos 20 minutos já tínhamos quatro amarelos e os outros nenhum, independentemente do que se passou.” Se se pode ter uma visão distorcida da realidade, estes senhores levam a taça! Então no futebol não ganha quem marca? E quem protesta não deve levar amarelo? Não sou um “expert” nas regras de futebol, mas estas são das básicas. E vai dos jornalecos desportivos de terceira categoria que temos por cá, cheios de profissionais entendidos em transferências virtuais, diz-que-disse, frases feitas, estatísticas da net e invenção de histórias para encher edições, espalharem estes comentários, qual ventoinha na qual caiu o penico.
O Benfica não merece levar com este tipo de pessoas. A mim, do meu ponto de vista de calhau, ofende-me a concorrência. Desvaloriza-me. Porque, mesmo entre os calhaus, há que separar o trigo do joio. E esses senhores, agentes desportivos, estão lá no fim da hierarquia das pedras. Porque, se há calhaus com dois olhos, os desta gente devem estar colados…
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