8 de abril de 2012

Pedras na sopa...

Um dos meus blogs (ou blogues, no português europeu) favoritos é o 31 da Armada, coisa em que não sou original, tamanha a horda de seguidores. E é-o, não só por ser sucinto e incisivo nos seus “posts” (mensagens, na tradução para a língua de Camões), como pela miríade de temas que aborda.

Foi lá que descobri um vídeo do Jamie Oliver, um dos mais conhecidos “chef” deste planeta, não só pelas eventuais competências culinárias, mas sobretudo pela aceitação que os seus programas obtêm. Usando sempre a cozinha como epicentro, já o vi a divulgar muita cozinha tradicional, “in loco” e através das mãos dos habitantes mais simples (e, desde logo, culturalmente mais ricos, porque ao contrário do que se pretende apregoar por aí, a cultura de um país não se compra, nem se aprende, tem-se, reside em cada um, na inversa proporção do nível de contágio por outras culturas), assim como a pegar em miúdos socialmente desfavorecidos e transformá-los (alguns) em cozinheiros daqueles restaurantes em que pagamos só por pedir o menu.

Neste vídeo, para além de retalhar uma vaca viva (ficamos a pensar se o bicho daí a um bocado não estará transformado naquelas placas esponjosas, brancas e rosa) e de angariar mais uma série de vegetarianos para o mundo alimentar, explica como é que os americanos transformam comida de cão em suculentos hambúrgueres para crianças. Retirando um ou outro exagero, deduzo que a explicação não fugirá à realidade. O mesmo tema é tratado no filme Food Inc, e, apesar do atraso de desenvolvimento português ser elevado (valha-nos isso), a ficção poderá deixar de o ser a médio prazo. Este filme é aconselhável a quem deseje fazer dieta e demonstra até onde chegam a desumanidade e os interesses económicos.

Nunca fui adepto de comida picada, mesmo aquela adquirida no talhante da esquina, e este tema faz-me querer cuspir ao passar num MacDonald’s ou Burger King, o que só não faço porque tive uma educação conservadora. Para já vou lendo as embalagens no hipermercado e só trago o que diga "produzido em Portugal", porque, apesar de tudo, ainda confio na nossa (pouca) agricultura.

O vídeo do Jamie até é feito para americanos (que têm calhaus no lugar de neurónios, benza-os Deus) perceberem. Só ficarei totalmente satisfeito quando passar a ouvir as nossas crianças pedirem uma canja de galinha ou um cozido à portuguesa em vez de uma “refeição feliz” (tradução para português do pacote comercial que inclui presentes apetecíveis a menores e um bocado de comida asquerosa e hiper-calórica, que supostamente deveria ser o objecto principal da embalagem). Ahhh, minha rica sopa da pedra!

5 de abril de 2012

Viva o Benfica!

Ora aí está um belíssimo título, capaz de, assim duma assentada, gerar 500 visitas a este blog, só pelo facto do nome do clube sediado na Luz aparecer no post. Neste cantinho à beira-mar plantado já aprendi que há coisas que chamam mais a atenção que outras. E o Benfica é, indiscutivelmente, uma das que aparece no “top ten”, a par da crise, da violação de menores, do Manuel Luís Goucha e das orgias do Castelo Branco (estes dois últimos temas estou incerto se são dois assuntos, se apenas um). Assim, nada melhor para lançar um blog que iniciar pelos temas que são queridos à populaça. Voilá!
Está provado que, excepto quanto ao Benfica, o povo é atraído pela desgraça e mau gosto. E quanto mais miserável for uma notícia, maior o número de pessoas que a procura e comenta. Este nosso país parece a camarata duma corporação de bombeiros: toca a sirene do desastre e sai tudo à rua, em número que aumenta exponencialmente com o impacto da tragédia. Com a agravante de haverem tantas versões da história quantas as cabeças que a discutem, o que aumenta o interesse da multidão e faz com que estas notícias perdurem no tempo, para esclarecimento dos pormenores dissonantes. Mas não é da qualidade de abutre do português que vou escrever, vou deixar isso para mais tarde. É sobre o Benfica, e vou fazê-lo antes que os 499 leitores que vieram a esta página enganados pelo título me comecem a enviar vírus para a caixa postal.
Ontem tive oportunidade de ver o duelo com o Chelsea. Até acreditei, no início, que um golpe de sorte fizesse os vermelhinhos viajar até à Catalunha. Ficou mais difícil quando a defesa decide oferecer um penalti. E depois do Maxi ter demonstrado a todo o Portugal que para jogar futebol é obrigatório ter um QI inferior a 20, julguei que o Benfica precisava de alugar outro avião para trazer as bolas que a equipa inglesa iria deixar nas redes do Artur. Mas eis que, qual Fénix renascida (e com uma sorte descomunal por todos os jogadores de azul calçarem tábuas e não chuteiras) parecia que era possível tirar o passaporte para o Camp Nou e sonhou-se muito, até que o tuga das tatuagens os matou com um tiraço. Ficou o amargo das possibilidades perdidas. Por culpa própria.
Hoje (e já ontem) vai-se a tudo o que é media e a culpa é do árbitro. É sua culpa não ter feito vista grossa a um empurrão na grande área, tem culpa por ter ouvido os jogadores do Benfica falarem da sua querida mãezinha, tem culpa por o Maxi ter decidido deixar a marca dos pitons na canela do outro, tem culpa de se falharem golos frente à baliza adversária. Nunca ouvi tamanha estupidez! Agora os árbitros europeus deviam ser iguais aos congéneres portugueses? Deviam ser feitos clones do Paixão e do Proença e mandá-las à UEFA? Estão a gozar com isto! Até sei qual é o mal. É que na Europa os clubes portugueses são como o Olhanense do velho continente. E como por aqui acontece com os pequenos, também na Champions, em caso de dúvida, beneficia-se o grande. Agora não se queixem por estarem a tomar o remédio que, por cá, servem aos outros! É óbvio que, para este país que mima os coitadinhos e dá ouvidos a broncos como os presidentes e treinadores de clubes de futebol, há uma legião de totós que valida, divulga e subscreve as barbaridades que eles dizem.
“Fomos melhores, mas perdemos os dois jogos.”, “Aos 20 minutos já tínhamos quatro amarelos e os outros nenhum, independentemente do que se passou.” Se se pode ter uma visão distorcida da realidade, estes senhores levam a taça! Então no futebol não ganha quem marca? E quem protesta não deve levar amarelo? Não sou um “expert” nas regras de futebol, mas estas são das básicas. E vai dos jornalecos desportivos de terceira categoria que temos por cá, cheios de profissionais entendidos em transferências virtuais, diz-que-disse, frases feitas, estatísticas da net e invenção de histórias para encher edições, espalharem estes comentários, qual ventoinha na qual caiu o penico.
O Benfica não merece levar com este tipo de pessoas. A mim, do meu ponto de vista de calhau, ofende-me a concorrência. Desvaloriza-me. Porque, mesmo entre os calhaus, há que separar o trigo do joio. E esses senhores, agentes desportivos, estão lá no fim da hierarquia das pedras. Porque, se há calhaus com dois olhos, os desta gente devem estar colados…

4 de abril de 2012

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É o início. Qual condenado a prisão perpétua, eis-me de volta à blogosfera. A partir do zero. Ou sub-zero, como as temperaturas dos extremos do planeta. Pronto para falar de tudo e de nada, do bom e do mau, do belo e do feio, do novo e do velho, de tudo o que por aqui se passa, mas também do que se passa por ali.

Enfim, falar deste belo mundo verde e azul e desta praga que por aqui vagueia e vai-se achando dona disto. Resolvi tentar ver as coisas em diferentes perspectivas, pode ser que este astro me pareça efectivamente um bom sitio para se estar... Ou não... Talvez... E se eu fosse um calhau?